CIBERSEGURANÇA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE PROJETO PAUTADO NO MODELO ADDIE EM UM CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL
Descrição Geral
A constante evolução tecnológica trouxe melhorias significativas à sociedade, mas acompanhada de desafios, como a vulnerabilidade digital por falta de conhecimento técnico. Este trabalho relata a experiência do projeto “Aprendendo a se Proteger na Era Digital”, fundamentado no modelo ADDIE (Analysis, Design, Development, Implementation, Evaluation). A aplicação ocorreu com estudantes do Ensino Médio Integrado ao curso Técnico em Informática em um Centro Estadual de Educação Profissional, em Teresina-PI.
O objetivo central foi capacitar os discentes em práticas de cibersegurança, alinhando conceitos teóricos à realidade cotidiana para conscientização sobre os riscos digitais. Foram abordados temas como privacidade online, ameaças cibernéticas e medidas preventivas. A metodologia adotada foi a pesquisa-ação de natureza qualitativa, utilizando observações participantes, diários de campo e questionários. Os resultados apontaram um aumento expressivo no engajamento e na adoção de boas práticas, evidenciando a eficácia do modelo instrucional.
Objetivos
O planejamento do projeto seguiu as cinco etapas do modelo ADDIE. Os objetivos específicos e os alcances obtidos estão detalhados no Quadro 1:
Objetivo Resposta Alcançada Metodologia de Alcance
Planejar o projeto via modelo ADDIE
Estrutura pedagógica completa.
Desenvolvimento sistemático das 5 fases do modelo. Desenvolver atividades sobre crimes digitais
Compreensão prática de conceitos abstratos
Oficinas de resolução de problemas e estudos de caso. Ensinar sobre phishing e Adoção de novos Demonstração de técnicas de ataque
p. 43Objetivo Resposta Alcançada Metodologia de Alcance
senhas seguras hábitos de proteção. e critérios de senhas. Apresentar ferramentas de auxílio
Familiaridade com recursos de verificação
Uso do Have I Been Pwned e mapas de ataques em tempo real. Avaliar a mudança de comportamento
Conscientização e mudança de postura.
Aplicação de questionário pós-intervenção e análise.
Habilidades Trabalhadas
O projeto foi desenhado em conformidade com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e seu complemento em Computação, focando no uso consciente, seguro e responsável das tecnologias. As atividades mobilizaram as seguintes competências e habilidades:
- Conceitos Técnicos - Phishing (engano), Engenharia Social (manipulação),
- EM13CO08 - Entender como mudanças na tecnologia afetam a segurança,
- EM13CO10 - Conhecer os fundamentos da Inteligência Artificial, comparando-a
- EM13CO14 - Avaliar a confiabilidade das informações encontradas em meio
Malwares (softwares maliciosos);
incluindo novas maneiras de preservar sua privacidade e dados pessoais on-line,
reportando suspeitas e buscando ajuda em situações de risco.
com a inteligência humana, analisando suas potencialidades, riscos e limites.
digital, investigando seus modos de construção e considerando a autoria, a
estrutura e o propósito da mensagem.
Ao trabalhar a EM13CO08, o foco transcendeu o uso instrumental, buscando desenvolver a capacidade crítica de analisar vulnerabilidades, tornando o aluno um agente ativo em sua própria segurança digital.
Materiais Utilizados
Os materiais e recursos utilizados para a realização do projeto foram: laboratório com computadores e acesso à internet; quadro branco e pincéis; projetor e material de apoio (slides); apostila “Aprendendo a se Proteger na Era Digital” no formato digital.
Metodologia e Sequência Didática
Seguindo as premissas de Filatro (2008), o projeto dividiu-se em:
p. 441. Análise: Identificação das necessidades de conhecimento do público-alvo.
2. Design: Elaboração do plano de ensino e seleção de conteúdos.
3. Desenvolvimento: Produção da apostila e dos roteiros das oficinas.
4. Implementação: Execução das aulas e práticas laborais.
5. Avaliação: Análise qualitativa e quantitativa da aprendizagem.
As aulas adotaram uma abordagem teórico-prática, por meio da utilização do material base, a apostila 'Aprendendo a se Proteger na Era Digital', alinhada aos princípios da pesquisa-ação e da aprendizagem ativa.
Cada encontro iniciava com uma exposição conceitual relacionada à cibersegurança, como: crimes digitais, phishing, uso de senhas seguras e ameaças presentes no ambiente digital. Foram realizadas demonstrações práticas e atividades orientadas, nas quais os alunos puderam aplicar os conceitos discutidos, por meio da análise de exemplos reais, simulações de situações de risco e utilização de ferramentas online voltadas à segurança da informação, como, por exemplo, o site Have I Been Pwned, que apresenta se seu email foi vítima de um vazamento de dados pela internet e o Cybermap da Kaspersky que apresenta os ataques digitais em tempo real pelo globo terrestre. Essas atividades tiveram como objetivo promover a participação ativa dos estudantes e estimular o desenvolvimento do pensamento crítico em relação aos riscos digitais.
Ao final de cada aula, promovia-se um momento de discussão coletiva, permitindo que os alunos compartilhassem suas percepções, soluções e dificuldades encontradas durante as atividades. Esse espaço de diálogo contribuiu para a consolidação dos conhecimentos e para a reflexão sobre práticas seguras no uso das tecnologias digitais.
Os dados foram coletados por meio de observação direta realizada em sala de aula, registradas em diários de campo (Falkembach, 1987). O registro de observações e reflexões após cada aula, visa compreender o nível de conhecimento dos alunos em relação ao conteúdo ministrado e documentar o desenvolvimento da turma.
Outro instrumento utilizado foi um questionário composto por 10 perguntas que abordou os principais temas apresentados e discutidos durante o projeto visando analisar o desenvolvimento e identificar avanços nos conhecimentos adquiridos.
Avaliação
A avaliação dos resultados foi realizada por meio de diários de campo, observações em sala de aula como também a aplicação de um questionário ao final do
p. 45projeto. Todo o projeto teve uma carga horária de 40 horas, divididas em 20 encontros, com duração de 2 horas cada.
Os resultados indicaram que 85% dos alunos demonstraram uma melhoria significativa no conhecimento sobre boas práticas de segurança digital, como o uso de senhas fortes, autenticação de dois fatores, e os riscos de navegação em sites não seguros; 75% dos alunos relataram ter adotado novas práticas de segurança após as atividades realizadas, como o uso de antivírus, atualizações constantes nos aparelhos móveis e a escolha mais criteriosa na composição de suas senhas; e 70% dos alunos estavam conscientes da importância da cibersegurança no ambiente digital e sua relação direta com a proteção de dados pessoais e financeiros. Essas respostas refletem a eficácia do projeto na transmissão de conceitos essenciais sobre segurança no mundo digital.
Questão Eixo Temático Acertos (Média) Erros (Média)
1-2 Tipos de hackers 24 8
3-4 Fundamentos de rede 24 8
5-6 Vulnerabilidades e características 19,5 12,5
7-8 Boas práticas e mitigação 24,5 7,5
9-10 Protegendo dispositivos móveis 29 3
Conclusão
A aplicação do modelo ADDIE mostrou-se eficaz para estruturar o ensino de cibersegurança, resultando em maior engajamento e assimilação de conteúdos complexos. O projeto de implementação sobre cibersegurança demonstrou ser uma iniciativa relevante para enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais digital e exposto a ameaças cibernéticas. De modo geral, a proposta alcançou os objetivos propostos, confirmando a hipótese de que a aplicação do projeto contribuiu significativamente para a ampliação do entendimento dos alunos e para a adoção de práticas mais seguras no ambiente digital. A abordagem pedagógica adotada, baseada no modelo ADDIE, favoreceu um aprendizado mais dinâmico e contextualizado. Observou-se que os alunos apresentaram maior engajamento durante as atividades práticas,
p. 46especialmente as que envolviam simulações de ataques cibernéticos e situações próximas à sua realidade digital cotidiana. Essas estratégias mostraram-se eficazes para despertar o interesse dos estudantes e facilitar a assimilação dos conteúdos relacionados à segurança da informação.
Por outro lado, identificou-se que alguns conceitos mais abstratos, como determinados tipos de ameaças digitais e estratégias de proteção menos visíveis ao usuário comum, tornaram a compreensão mais desafiadora por parte dos alunos, exigindo uma maior mediação pedagógica por parte do professor. Essa constatação sugere a necessidade de ampliar o uso de exemplos concretos, estudos de caso e mais recursos visuais em futuros projetos.
A análise dos dados obtidos por meio dos instrumentos utilizados evidenciou avanços no entendimento dos alunos sobre segurança digital, uma conscientização maior acerca do uso das tecnologias e da importância da proteção de dados pessoais. Nesse sentido, a sequência didática dos encontros não se limitaram à transmissão de conhecimentos técnicos, mas contribuíram para a formação de uma postura mais crítica e responsável frente ao ambiente digital.
Por fim, a experiência reforça a importância de iniciativas educacionais alinhadas às demandas do mundo contemporâneo, nas quais a cibersegurança deve ser tratada como uma prioridade. A continuidade e o aprimoramento de projetos dessa natureza são fundamentais para a consolidação de uma cultura de segurança digital e para a formação de estudantes capazes de atuar como multiplicadores do conhecimento e de práticas seguras em seus contextos sociais.
Referências
FILATRO, A. Design instrucional na prática. São Paulo (SP): Pearson Education do Brasil, 2008.
FALKEMBACH, Elza Maria Fonseca. Diário de campo: um instrumento de reflexão. In: Contexto e Educação, nº 7, Juí: Inijuí, 1987.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia Científica. 5. ed. São Paulo: Atlas S.A., 2003.
STEINBERG, Joseph. Cibersegurança para leigos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2020.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Parecer CNE/CEB nº 2/2022, de 17 de fevereiro de 2022. Normas sobre Computação na Educação Básica: complemento à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília, DF: MEC/CNE, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/cne/pdf/pareceres-do-cne/ceb/2022/pceb002_22.pdf. Acesso em: jul. 2025.