ESTRATÉGIA DE ENSINO: ROTAÇÃO POR ESTAÇÕES “BRINCANDO COM RIMAS” POR MEIO DE ATIVIDADES PLUGADAS E DESPLUGADAS
Descrição Geral
Este relato de experiência apresenta o trabalho realizado com estudantes do Ensino Fundamental que culminou no desenvolvimento da consciência fonológica, com ênfase no reconhecimento e na produção de rimas, por meio da estratégia de Rotação por Estações. A proposta articulou atividades desplugadas e plugadas, combinando práticas lúdicas, colaborativas e o uso intencional de tecnologias digitais. As estratégias desplugadas envolveram leitura de textos rimados, jogos de linguagem, reconstrução de poemas e atividades de escrita e ilustração, favorecendo a interação entre os estudantes, a oralidade, a escuta e o trabalho em equipe. Já as estratégias plugadas contemplaram o uso de Chromebooks e jogos digitais educativos, possibilitando a aplicação dos conhecimentos em ambiente virtual, com feedback imediato e maior engajamento. A organização da aula promoveu a participação ativa dos discentes, respeitou diferentes ritmos e estilos de aprendizagem e fortaleceu o protagonismo infantil, alinhando-se aos princípios das metodologias ativas e do ensino híbrido.
Objetivos
Os objetivos da aula consistiram em desenvolver a consciência fonológica, por meio do reconhecimento e da produção de rimas em diferentes gêneros textuais, de forma lúdica e interativa. Buscou-se, simultaneamente, integrar habilidades da Computação, como o desenvolvimento do pensamento computacional, a identificação de padrões sonoros (rimas) como forma de reconhecimento de padrões, a organização sequencial de ideias para a construção de versos (noção de algoritmo), a decomposição de palavras em sílabas e sons, além do estímulo à resolução de problemas e à criação colaborativa, utilizando recursos digitais de maneira crítica, ética e criativa.
Habilidades Trabalhadas
- EF02LP18 - Reconhecer e produzir rimas em parlendas, quadrinhas, cantigas e
- EF03CO07 - Utilizar diferentes navegadores e ferramentas de busca para
poemas.
pesquisar e acessar informações.
- EF15CO08 - Reconhecer e utilizar tecnologias computacionais para pesquisar e
acessar informações, expressar-se crítica e criativamente e resolver problemas.
Materiais Utilizados
Durante a aula, os estudantes exploraram várias atividades que envolveram uso de materiais pedagógicos desplugados, como fichas de leitura com poesias, cantigas e quadrinhas rimadas, jogos de rimas, atividades de reconstrução, organização e completamento de poemas, bem como propostas de escrita e ilustração. Além disso, interagiram com materiais pedagógicos plugados, como os dispositivos computacionais (Chromebooks) utilizados para acessar os jogos educativos de rimas.
Metodologia
Silva (2017) descreve o Ensino Híbrido no modelo de Rotação por Estações como uma forma de organização da sala de aula em diferentes espaços de aprendizagem, nos quais os estudantes realizam atividades distintas, porém inter-relacionadas, incluindo, em pelo menos uma das estações, o uso pedagógico de tecnologias digitais. Essa metodologia promove a participação ativa, a autonomia e a personalização do ensino, mostrando-se coerente com os princípios das metodologias ativas ao colocar o estudante no centro do processo e contemplar diferentes estilos de aprendizagem.
A partir desse entendimento, no dia 17 de outubro de 2025, foi desenvolvida a proposta “Brincando com rimas”, em uma escola da rede municipal de Teutônia/RS. A atividade foi realizada com uma turma do 2º ano do Ensino Fundamental, composta por 23 estudantes na faixa etária de 7 a 8 anos, utilizando a estratégia de Rotação por Estações na disciplina de Língua Portuguesa articulada ao componente curricular de Computação. Cada estação teve duração aproximada de 20 minutos.
A professora iniciou apresentando à turma a proposta, explicando que a atividade seria desenvolvida no formato de rotação e com diferentes desafios envolvendo rimas. Para facilitar a compreensão da dinâmica, foram realizados desenhos no quadro representando as estações e o movimento dos grupos. Com a participação dos estudantes, a turma foi organizada em quatro grupos numerados de 1 a 4: dois grupos com cinco integrantes, um com seis e outro com sete estudantes - este último incluindo um estudante com deficiência intelectual, que contou com o acompanhamento pedagógico da monitora.
p. 147Desde o início, os estudantes mostraram-se entusiasmados e curiosos. Antes de iniciar a rotação, a professora mostrou no relógio o tempo de permanência em cada espaço e explicou que o despertador do celular sinalizaria o momento da troca. Aproveitou também para reforçar a importância da organização, da cooperação e da escuta atenta entre os colegas, aspectos que dialogam diretamente com as práticas colaborativas do pensamento computacional.
Estação 1 - Mesa de leitura: Os estudantes exploraram fichas de leitura com poesias, cantigas e quadrinhas rimadas. A proposta consistiu em realizar a leitura individualmente ou em duplas, identificando palavras que rimavam e compartilhando as descobertas com o grupo. A mediação docente incentivou a observação de regularidades, por meio de questionamentos como: “Que som se repete?” e “O que essas palavras têm em comum?”. Nesse momento, a atividade foi conduzida como exercício de reconhecimento de padrões, habilidade relacionada tanto à consciência fonológica quanto ao pensamento computacional. Ao identificar as rimas, os estudantes passaram a compreender as regularidades sonoras como padrões que seguem uma lógica auditiva.

Estação 2 - Jogo de rimar: Os estudantes participaram do jogo “Rima com…”, no qual cada participante retirava uma ficha com uma palavra e lançava o desafio aos colegas para encontrarem outra que rimasse. As respostas eram registradas com canetões sobre as fichas plastificadas, o que agradou muito as crianças e tornou a atividade dinâmica e divertida. A ação mobilizou processos de formulação e teste de hipóteses, além da busca sistemática por padrões semelhantes. Ao tentar encontrar palavras compatíveis, os estudantes precisavam decompor mentalmente os sons e
p. 148comparar terminações, exercitando a análise estrutural da linguagem. Observou-se que, em alguns grupos, os alunos criaram estratégias próprias, como repetir a palavras em voz alta para identificar o som final e, a partir dele, propor alternativas que mantivessem o padrão de rima.

Estação 3 - Poema incompleto: O foco esteve na leitura e reconstrução do poema “A casa e seu dono”, de Elias José. Os estudantes precisaram completar as lacunas com palavras que rimavam, utilizando o sentido do texto para escolher as melhores opções. A atividade exigiu leitura atenta, interpretação e análise do contexto. Ao testar palavras, as crianças precisaram avaliar simultaneamente o padrão sonoro e a adequação semântica, mobilizando o raciocínio lógico e a resolução de problemas. Houve grande engajamento entre os grupos, que colaboraram ativamente para resolver o desafio. Conforme a atividade era finalizada, os estudantes ilustravam o poema com lápis de cor.

Estação 4 - Jogos digitais de rimas: Encerrando o circuito, os estudantes utilizaram Chromebooks para acessar jogos educativos na ferramenta Wordwall, explorando diferentes atividades interativas de associação de rimas. O professor de Computação auxiliou nesta etapa, potencializando o entusiasmo e engajamento da turma, o que permitiu aos estudantes aplicarem e testarem o aprendizado construído ao longo da aula em um ambiente virtual. Como a escola possui o componente curricular de Computação implantado em sua matriz curricular desde o ano de 2007, os estudantes demonstraram muita familiaridade e autonomia com os recursos tecnológicos.

Avaliação
A avaliação da proposta concentrou-se nas aprendizagens construídas pelos estudantes ao longo da experiência, especialmente no reconhecimento e na produção de rimas e na mobilização de habilidades relacionadas à identificação de padrões, formulação de hipóteses e resolução colaborativa de problemas. A diversidade das estações possibilitou o exercício integrado da leitura, escrita, oralidade e escuta, além da análise dos sons finais das palavras. Observou-se um envolvimento significativo nas atividades, sobretudo nas situações que exigiam tomada de decisão e verificação das respostas, como no jogo de rimar e nas dinâmicas digitais.
Na primeira troca de estações, algumas crianças apresentaram dificuldade em compreender o percurso do rodízio, necessitando maior orientação da professora. Não houve uma dificuldade específica comum a todos, mas cada grupo apresentou desafios particulares em momentos distintos: alguns demoraram mais para se organizar fisicamente, enquanto outros precisaram negociar opiniões e decisões, o que gerou discussões produtivas entre os colegas. Com o decorrer da aula, a dinâmica foi assimilada e as transições ocorreram de forma mais fluida e organizada.
p. 150Na Estação 2 (Jogo de Rimar), alguns estudantes necessitaram de maior mediação para identificar e registrar as rimas, especialmente aqueles em processo de consolidação da alfabetização. Já na Estação 3 (Poema Incompleto), o Grupo 1 demonstrou dificuldade em articular o sentido do texto com a escolha de palavras que rimassem, indicando que essa habilidade de leitura e inferência ainda se encontra em desenvolvimento. Destacou-se, em ambas as estações, a colaboração entre os colegas na construção das respostas.
As crianças demonstraram satisfação em participar da proposta, comentando que o tempo passou rapidamente e que gostariam de repetir a experiência. No momento final da socialização, cada grupo compartilhou uma descoberta - como uma nova rima identificada, uma solução encontrada no poema ou um jogo digital explorado -, evidenciando envolvimento e entusiasmo. A preferência manifestada pelas estações com o uso dos Chromebooks indicou que o recurso digital contribuiu para a verificação imediata das respostas e ampliou as possibilidades de exploração lúdica. Esses retornos confirmam o potencial da estratégia de Rotação por Estações para integrar consciência fonológica e as habilidades da Computação de maneira significativa e contextualizada.
Conclusão
Diante do exposto, a estratégia de Rotação por Estações, desenvolvida por meio de atividades plugadas e desplugadas, mostra-se potente para o desenvolvimento de diferentes habilidades e competências em sala de aula, podendo ser replicada em diferentes áreas do conhecimento. O uso dessa metodologia também favorece a personalização do ensino, considerando que os estudantes possuem ritmos e estilos de aprendizagem distintos. Por fim, cabe ressaltar, em consonância com Diesel, Santos Baldez e Martins (2017), que a escolha de uma metodologia ativa não garante, por si só, a eficácia da aprendizagem; faz-se essencial que o docente a compreenda e a execute sob uma intencionalidade pedagógica clara e bem delineada.
Referências
DIESEL, A.; SANTOS BALDEZ, A. L.; NEUMANN MARTINS, S. Os princípios das metodologias ativas de ensino: uma abordagem teórica. Revista Thema, Pelotas, v. 14, n. 1, p. 268–288, 2017. DOI: 10.15536/thema.14.2017.268-288.404. Disponível em: https://periodicos.ifsul.edu.br/index.php/thema/article/view/404. Acesso em: 7 nov. 2025.
SILVA, Edsom Rogério. O Ensino Híbrido no Contexto das Escolas Públicas Brasileiras: Contribuições e Desafios. Porto das Letras, v. 3, n. 1, p. 151-164, 2017. Disponível em: https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/4877/12589. Acesso em: 10 nov. 2025.